Pescadores mostraram-se preocupados com a dragagem, que poderá comprometer o sustento das famílias. Comerciantes ficaram com receio de perder o ponto de trabalho, quando o acesso à praia for fechado. O Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep), que elaborou o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (Eia-Rima) do projeto, deu sinal verde para a obra.
De acordo com a engenheira civil Maria do Carmo Sobral, que apresentou resumo do Eia-Rima na audiência, os impactos negativos são temporários e podem ser compensados. Ela também citou a perda da área de alimentação e reprodução de animais, o risco de destruição de ninhos de tartarugas marinhas, bem como a interferência no patrimônio cultural e arqueológico existente nos 48 quilômetros de litoral contemplados na proposta.
Moradores do Janga, em Paulista, perguntaram como será feita a proteção das casas da beira-mar durante a obra. “Os mecanismos de proteção serão definidos pelos municípios”, respondeu o secretário-executivo de Meio Ambiente de Pernambuco, Hélvio Polito. Pescadores do Cabo levaram faixas para a reunião, repudiando a dragagem de areia do fundo do mar.
Uma jazida com 21 milhões de metros cúbicos de areia, nas imediações do município e longe da faixa de praia, fornecerá os 7,6 milhões de metros cúbicos de areia necessários à engorda das Praias de Piedade e Candeias (Jaboatão), Boa Viagem (Recife), Carmo, Bairro Novo e Casa Caiada (Olinda), Janga e Maria Farinha (Paulista).
Hélvio Polito disse que a escolha do lugar não foi motivada por decisão política, mas por critérios técnicos e científicos. Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier, o governo está definindo um plano específico para compensar as perdas dos pescadores.
“Discutiremos com eles a melhor solução e vamos criar com as prefeituras comitês municipais para tratar questões específicas de cada setor da sociedade que se sinta prejudicado”, afirma Sérgio Xavier. “Queremos a obra, mas não aceitamos a retirada dos pescadores da orla”, diz Norma Maria do Nascimento, de Jaboatão.
O projeto prevê a engorda da praia (em trechos de Jaboatão e do Recife a areia desaparece na maré alta) e a retirada, adaptação e permanência de antigos diques de contenção das ondas. “Recuar a área urbanizada das cidades é inviável, precisaríamos de trilhões de reais, por isso optamos por essas soluções”, diz Sérgio Xavier.
Maria do Carmo Sobral aponta como impactos positivos a regeneração da praia, a recuperação de ecossistemas, a volta do lazer e atividades turísticas, a valorização dos imóveis, o aumento da receita dos municípios, mais espaço para quiosques, bares e hotéis e possibilidade de novos projetos turísticos nos trechos recuperados.
A audiência pública foi organizada pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH). Hélio Gurgel, presidente da entidade, espera emitir a licença prévia da obra este mês. Os trabalhos devem começar em 2012.
Fonte: http://www.informepe.com
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